4.7.07

Outra “cabriolet” cartorária

Rubem Garcia – O Coringa

Tudo o que sei cheira a mofo

Ou de certo modo é velho

Sobras de idéias esmaecidas

Puídas gastas de tão repetidas

Tudo que mofa mal cheira pede socorro

Apela para a velha arapuca

Arranca peruca

cego em sinuca

Tudo cheira mofo velho

Tudo cheira mal Socorro

Tudo quanto me repetes

Tantos os repentes meus em tela

Já me parecem meio insulsos

A mesma paródia descarada

De um vândalo a cata de algo novo

Mas a mesma língua O dia a dia

Não sustentam o ofício

A poesia

Sem embebedar da madre fonte

Que a engendrou no seio inerme

Morre no contexto

Morre na verve em suave sinfonia

Tudo me parece engodo

ÔNU “pax” diplomacia

ONG Mãe África

I - Ching “housewives”

A Cada reprise nervosa a cada fim de ano

Cada dano

A Cada desengano Tiros na África,

em Timor Em Amaralina

Por puro desprezo ou desespero

Assisto ao pesadelo por dinheiro

Pague primeiro Ou uma quantia boa em sangue

Será cobrada E sua dívida marcada

no Rol dos InjustiçadospelavidaLotandoascelas

Ninguém tem culpa ninguém apela

Ninguém entende ninguém mais berra

12.6.07

Malaquias -

(o diabo Rei)

Rubem Garcia – O Coringa

Força bruta,

Soldado de paço...

Maluco e “malaco”,

Que nas horas vagas,

Andou de motoca,

Ganhou mais vadias,

Que um velho das docas…

Nadou na sarjeta,

A frase refeita

Num copo de coca…

Malungo dos becos,

Ladrão de botecos,

Pedindo, implorando…

Uns tragos, uns tecos,

A grana na mesa,

Valendo a sinuca,

O troco pro taxi,

Navalha pra puta…

30.5.07

Cachaça com Milome

(à Paulo C. – um homem á frente de outros)

Rubem Garcia – O Coringa

Cachaça com milome,

pra espantar lobisome,

Cachaça com milome...

pra arranjar matrimone...

Cachaça com milome,

ajuda a enganar a fome...

Cachaça com milome,

levanta as força do home...

Cachaça com milome,

o segredo já está no nome...

Cachaça com milome,

confunde Xeloque Romes...

"Só pode ser Armadilha,

prisão por formar quadrilha,

em véspera de são joão...

Menino soltando balão,

e velhos soltando bandidos,

O Estado inteiro falido,

seu crédito, seu falo,

escoando pelo ralo,

ditado de quem consome"...

cachaça com milome...

Blues Improvável

Rubem Garcia – O Coringa

Murmurando frases desconexas,

Num diálogo moribundo,

Um solilóquio urbano,

Egresso do submundo…

Vacilando entre parênteses,

(seguro do vento Sul)

Rastejando em semibreves,

Em notas de incerto blue…

No fim, no ponto, esbarro…

A fé cega como faca,

Forçando a barra, na marra,

Fui retirado de maca…

10.5.07

Aviso

(a quem interessar possa II)

Rubem Garcia - O Coringa

A quem interessar possa...

A farsa por aqui,

Já cheira a fossa...

Exaure a força,

Encurta a prosa.

A unha era vermelha,

O rosto rosa,

Deixa um rastro de perfume,

A casa cheia,

Muitos convivas para a ceia,

Migalhas da sua sobra,

Escombros da minha sombra,

Sombreiros pelas encostas,

Janelas às minhas costas,

No azul de metileno,

Estrelas entrecortadas,

Não brilham sem ter escuro,

Não sabem qualquer resposta,

A verdade que foi criada,

Calada e pouco disposta.

7.5.07

Notas Dissonantes

Rubem Garcia - o Coringa

Conforta aqui sua tristeza nova...

Manda as mazelas empoeiradas para os quintos...

Manda aos infernos as maquinações modernas...

Apressada por se trancar na caverna...

Na luta diária, Na agonia eterna...

Na sinfonia de cordas frouxas,

Tocada pela orquestra desmazelada,

Numa cidade desdentada fria e muda...

Um cinza que nos Oprime...

Um concreto que nos Amiúda...

Uma distância que nos afasta...

Uma cilada que nos basta,

Um cadafalso, um calabouço,

Uma afronta qualquer do destino,

Um parvo que nos fura os olhos,

Um tolo agredindo os tímpanos,

um tango argentino...

Esmeraldas engastadas na desgraça,

Enfeitando e ao mesmo tempo poluindo.

4.5.07

Uma Luz Ascende

(lodo e fogo fátuo)

Rubem Garcia _ O coringa

Deve ser algo com o fluxo energético,

Ou mesmo princípio ético,

Explicação metafísica...

A TV nos comandando na dinâmica,

Diluídos os progressos da ciência,

A controlar massas de mentes tísicas,

Anômalas segundo código genético,

Acéfalas, próprias para o consumo prático.

Seu exaltado tom de voz é bem enfático,

O resultado… um tanto quanto melancólico.

A argumentação de um velho mito folclórico,

Distorcida pelo efeito hipnótico.

No bordejar e desejar manter a ótica…

Satã Católico assoprando-lhe a espinha...

Erva daninha escapando do arado.

Deixa um legado imprestável ao meio todo,

Um mal fadado cheiro de coisa morta…

Um mal cheiroso fado lá de Lisboa.