21.1.09

I & I

I and I
Rubem Garcia

vamos dar um passeio
de tarde, pelo domingo,
que é dia de pouca pressa.
Nada interessa,
ou incomoda tanto...

Vamos passear na floresta
que o lobo perdeu a hora,
barrado,
na festa
de pirapora...
por nossa senhora...

Vem, vamos agora...
vamos depressa
que é nessa hora
que o bone pega,
e a missa demora,
Eu e Deus
do lado de fora

Eu vou descer nessa volta!
Parem a fita,
vou de carroça...
esperar para acontecer.

26.8.08

Signos de marte
(Rubem Garia - O Coringa)

O êxtase...
a exegese...
a mais valia...
o sacerdócio da apostasia...
a plena liberdade,
à beira da heresia...
os arquétipos mitológicos da hélade,
postos à prova, para sobremesa...
a própria cristandade
prestes a cair (de bunda) sobre si mesma...
nenhuma surpresa...
é sídrome de ovário policístico na era de aquário,
evocação do espírito ancestral embrionário...
mais um milênio de dominação,
do macho adulto branco que estiver no posto...
calem-se os da contra-mão...
fodam-se a contra-gosto...

5.8.08

O Olho

Eu...
...bem longe...
de mim... distante.
desfeito...
perto de algo que não está...
não é..
não pode querer...
ser imperfeito.
Ao largo da trajetória...
mera referência...
mas essêncial...
Observador convicto...
ostento o patamar invicto,
num embate onírico,
antigravitacional...
Calcular
a massa quântica,
a partícula infinitésima,
a grandeza mínima,
dígna de menção...
repleta da unção
do sagrado trido
um infinito ido,
um mícron de passos da humanidade...
nada há de abalar a vaidade a olho nú!

25.4.08

Velhas Tradições.

(Rubem Garcia - O Coringa)

Fui ao Vinho...

Quase à vinheta...

Vinagre daquela conversa...

Em pés de esquina...

Fundo de sarjeta,

Cara preta...

Deste a cara à palmatória,

Sem história,

Subterfúgios...

Descoberto estará teu refúgio,

Antes que a poeira assente...

- Mentes?

...Quem cala consente,

Admite a vertente,

De um calor latente,

Em plena lactação...

- Prepara outra cena de ação,

Ou pulo fora do Script!

Berrou o Ator sem cacife,

Bancando o xerife,

Matando um cacique da grande nação...

Não julgai para não serdes julgados,

Que os custos serão cobrados,

Emolumentos sagrados,

Cercados a arame farpado,

De um lodo disfarçado,

Calabouço...

Comercial de TV Colosso...

Num fundo de poço,

Nele pular não posso...

Mas Gasolina é de todo mundo,

E pasmem, o Petróleo é nosso!!!

A quanto O Barril não importa...

Pagou, entregou na porta...

Atrasa...Arrasta... se enforca...

-... em que mês estará??? ... aposta?

... Espero de costas...

As mãos postas,

A espera quase sempre uma bosta...

28.1.08

Templos modernos

(eu vejo a vida melhor no futuro)

Eis o homem

Multinacional…

Poli-cultural,

Metro sexual,

Mega desejado…

Veste certa grife,

Não comete gafes,

Mesmo com alguns drinks.

Espécie de drops,

Causa bad trips.

Em plena sala VIP,

Gente desse naipe,

Não trai a sua estirpe,

Faz charme até com gripe,

Nouveau Rich convicto.

Novo advento, o adjetivo,

O H maiúsculo no diminutivo,

Carente afetivo,

Quer afirmação.

Pouca informação,

A palavra exata,

Falso proxeneta,

Belo magnata,

Empregou nas putas,

Delas o peso em prata…

O fez por benevolência,

A violência justificada,

A virulência aprendida em casa,

Demagogia, mas posta em prática…

Metáfora fática para um fim de discurso.

24.12.07

Coletivos
Rubem Garcia – O Coringa

Veio uma noite perene me causar espanto…
Só no meu canto me encontrou a outra…
Vinda de - não sei - qual recanto do universo?
Veio uma aguda dor nas tripas,
Outro verso, escorrendo das entranhas.
Veio quem deveria,
Quem não viria,
Quem não queria
O que não tivesse…
Hordas de hunos,
Corja de bandidos,
Súcias de malungos,
Cambadas de moribundos,
Vieram das quatro direções…
Novos sacerdotes,
Noves sermões para sustentar as velhas crenças.
Novos milagres da ciência,
Soja transgênica,
Pílula de ar, e silicone…
Veio o olho por olho,
Homem por homem.
Medo por medo,
Preferi ficar com o desconhecido.
Veio quem mais qualquer um desejaria,
Ainda que se lhe dessem permissão…
De saciar o desejo numa fonte
Inexaurível, fecunda, abundante…

22.11.07

Samba Reggae Dub DUb DUB...

Rubem Garcia - O coringa

(pra Zangüera)


Reza Braba para Espantar os Quebrantos,

os Mal-olhados,

os desencantos...

Batuque pra mexer a massa,

Pra realçar o verde dos olhos da Mulata,

Balançar na pista, Pra Sambar Na lata...

Pra Salvar os Orixás,

Na Bahia de todos os Bons, todos os maus, todos os santos…