18.12.09

Cada vez mais vagabundo
- MaIa -

Sambando na lama,
Com meu passo bêbado,
Conheço a glória,
Prevejo a vitória,
Alimento um alento,
Mas sigo caindo ao sabor do vento...
Sambando na lama,
Cambaleio sínico,
Serpenteio furioso
De curioso o olhar que me perscruta,
Surdo esse olhar que não escuta
Meu lamento...
Mas lanço cabriolas ao sabor do vento
Sambando na lama,
Esse humor ferino,
Canceroso,
Gargalhando do próprio desgosto,
Necrosando a ferida, o nervo exposto
Sem sustento...
Há tantas piadas morrendo no vento...
Sambando na lama
Cada vez mais vagabundo,
Meu mundo espera a beira daquela cama,
Aos pés da única Dama,
Cachorro sarnento...
Vai juntar as migalhas e plantar no vento...
Esperar a colheita...
Ainda há tempo!

11.11.09


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Mandamus
MaIa
Tudo me parece tão distante,
Que nem o mais escabroso caso me espanta,
A emoção, se não nenhuma,
Já não é tanta...
A comoção é zombaria.
O mundo é cruel e até riria,
Se eu não me dispusesse a rir primeiro.
Impossível conter tal desespero...
“Eu vi primeiro!”
“Eu vim primeiro!”
Mas, segundo meus cálculos,
Embargos terceiros me impedem:
Os que esforços fazem,
Os que esforços pedem
E Quem os esforços comandam.
E como mandam...
e como mandam...
e como mandam!!!

7.3.09

A Isis sem Véu

(MaIa)


(colaboração Aline Esquivel Barreto - “minha” muié)


Que cada Mulher tire sua máscara,

Mostre sua força...

Seu desejo...

Sem medo,

Rompendo barreiras e preconceitos...

Recriando conceitos.

Mulheres que assumam seus encantos,

Seus papéis...

Seus prantos,

Seus defeitos...

Seus anéis.

As mãos nuas, os olhos claros...

Alma despida de segredos ...

O peito aberto.. orgulhoso..

Exibindo o seio garboso..

Da musa...

Da ‘Vênus de Millo’...

Assumam seus gostos,

seus modos,

Seus elos,

Seus mitos,

Seus grêlos, seus grilos...

21.1.09

Recicle-se
(Rubem Garcia - O coringa)

Aquém da vida
era o Ovo...
o além
é semente de novo...
é germém...
é cíclo...
é Ser, sócio vitalício,
de uma cadeia hereditária.
A parasita primária,
evolução revolucionária,
a verme plenária,
na sopa embrionária,
tardando a germinar...
Além da vida,
será o Ovo,
o aquém...
era semente ainda há pouco...

I & I

I and I
Rubem Garcia

vamos dar um passeio
de tarde, pelo domingo,
que é dia de pouca pressa.
Nada interessa,
ou incomoda tanto...

Vamos passear na floresta
que o lobo perdeu a hora,
barrado,
na festa
de pirapora...
por nossa senhora...

Vem, vamos agora...
vamos depressa
que é nessa hora
que o bone pega,
e a missa demora,
Eu e Deus
do lado de fora

Eu vou descer nessa volta!
Parem a fita,
vou de carroça...
esperar para acontecer.

26.8.08

Signos de marte
(Rubem Garia - O Coringa)

O êxtase...
a exegese...
a mais valia...
o sacerdócio da apostasia...
a plena liberdade,
à beira da heresia...
os arquétipos mitológicos da hélade,
postos à prova, para sobremesa...
a própria cristandade
prestes a cair (de bunda) sobre si mesma...
nenhuma surpresa...
é sídrome de ovário policístico na era de aquário,
evocação do espírito ancestral embrionário...
mais um milênio de dominação,
do macho adulto branco que estiver no posto...
calem-se os da contra-mão...
fodam-se a contra-gosto...

5.8.08

O Olho

Eu...
...bem longe...
de mim... distante.
desfeito...
perto de algo que não está...
não é..
não pode querer...
ser imperfeito.
Ao largo da trajetória...
mera referência...
mas essêncial...
Observador convicto...
ostento o patamar invicto,
num embate onírico,
antigravitacional...
Calcular
a massa quântica,
a partícula infinitésima,
a grandeza mínima,
dígna de menção...
repleta da unção
do sagrado trido
um infinito ido,
um mícron de passos da humanidade...
nada há de abalar a vaidade a olho nú!