6.4.13


Brasa no lume

Maia

Eu ainda vou entrar na dança
e ainda vou morrer se ser eu,
mas não devo morrer de amores.
Nenhuma saberá das minhas dores
mais que eu soube.
O quanto me cabe,
do preço que me coube,
do usufruto
Esse fruto apodrecido
desse jeito.
Bata no peito
e deseje nem ter nascido
Sentimento?
Para que desejar mais sofrimento?
Nessa selva de cimento...
O mundo é seu
mas não lhe pertence.

14.3.13

Anger management

Maia

Just another day
just another ride
just feeling sorry
sister
just missing you
looking for
another day
another ride
another bride
a little more proud
a little more blue
a little bit complicated
for being me

23.2.13

Moeda de troca

Maia

Eu sou o máximo
do paradoxo lógico
num estado ótimo
de hipertensão.
Eu sou naufrago
da acensão meteórica
para deixar eufórica
a noite da bacante.
- Olimpo de falsos amantes_-
Diamantes e perolas
ao alcance das mãos,
o doce regalo
à disposição
de quem puder pegá-lo...
Ainda assim para poucos.
Das sombras do mundo louco
surdo e mudo o meu discurso:
- Melhor largar na banguela,
quem tem filho grande é urso!

27.1.13

Reproduza-se e morra 

Maia 

Já vi arvores nascerem
Constelações já minguaram
Duvidas se consumiram
Rios  se contaminaram...
Foi meu verbo que formou no olimpo
O meu meu lamento causou certo embaraço 
Pus o laço
No pé da andorinha
Erva daninha
No jardim do paço 
Ou repasso feito boi no pasto
Ando gasto
Do meu vasto império
Ando sério
Pelo meu cansaço

19.7.12

Fantasma

Maia


Eu sou o que não tem jeito.
Defeito...
o que não tem hora.
Demora
e não é perfeito,
refeito...
constrito em mora.

Eu sou o que goza fora.
Agora,
não sou o sujeito.
Direito
tenho à desforra...
Aforas
da dor no peito.

A sombra que te apavora...
Quimeras
de que sou feito:
O despeito
de quem me ignora...
A ira
de quem rejeito.

25.5.12

Hipertenso

Maia


Passeio
ao largo do lugar que não pertenço,
à sombra de um luar que não percebo...
por perto um coração que desconheço.
Anseio
por alguma novidade
e teu mamilo,
pela alcova da verdade
e a corcova do camelo.

Receio
o prenúncio do fim da atividade
do circuncidar do prepúcio.
Um tanto mais lúcido,
a pupila me dilata
ciente da curva do teu seio...
Mais um processo,
por certo mais um coração que desconheço...

...e ainda é só o começo
do recreio.

7.5.12

Alguns trocados

Maia

Em cantos extremos do universo
debates sobre o meu destino...
meu verso,
minha alma desgovernada,
meu desatino...
Eu sequer faço parte
ou existo?
Fingindo de morto,
rei torto e sem porto
posto a prova...
Meu nome é povo,
minha nota é a sobra...
minha sombra a multidão.
Em esquinas da vida
cento e cinquenta horas
de horário político
e o que virá se decide
longe dos meus ouvidos.
- as cenas dos próximos capítulos,
dos dramas mais íntimos
ou mais explícitos,
dos momentos mais críticos!
Eu não faço parte disso?
E a ampla defesa?
O devido processo legal?
A presunção de inocência?
Decretaram a minha revelia
por citação editalícia,
arquitetada com muita malicia
por um falso messias,
um salvador da pátria.
Meu nome
e sobrenome é povo.
Oculto no anonimato
questiono os fatos,
a razão de todos os atos,
posturas.
O por traz das aparências,
toda presença, toda ausência
e todo preço que me é cobrado...
Só para ver se me sobram alguns trocados