1.6.13

Que encontro no mundo?

Maia

Tanta palavra a ser dita
e a infinita
necessidade
ficou calada...
Travada
pela língua adormecida,
pela velocidade.
Dois raios
trouxeram a tempestade
e sua vontade mal foi saciada...
Minha vontade
ficou pela tela fria...
Porque cabia dizer
e não foi dito...
pelo martírio,
pelo sacrifício,
pelo sacrilégio...
Pelo vício
desses modernos
amores malditos

6.5.13


CÊ?

Maia

Não sou tão bom
Quanto cê pensa.
Enquanto se aproxima
a treva densa
o mal passo
é meu caminho...
O meu espírito
também é daninho,
também é diabo,
também é exu.
Padilha tragando a fumaça...
Eu sou da cachaça
Da encruzilhada!

Cê pisca o olho
E não sabe de nada...
Cê peca,
Cê seca
Na academia,
Cê geme,
Cê frita,
Cê toma birita e me admira!

Se deite na cama
Pensando que ama
Pensando que goza
Me ame no verso
E me odeie na prosa
Mas saiba, tem troco!
Se um tiro for pouco,
Dou cinco,
Dou dez,
Te prendo aos meus pés,
Com véu e grinalda...

Para comer-lhe os sonhos,
E devorar-lhe a vida...
Sugar até a última gota...
Cê sorri e nem nota
E para na sarjeta
Pedindo moedas
Com loucos e putas
Em tantas calçadas
Em tantos sinais
Cê já não tem volta....

19.4.13

Deu pena!


Maia


Já chega de me torturar

toda vez que chega dezembro.

Sempre lembro...

Entro em qualquer madrugada,

presente ou passada,

repleta de apego.

Eu não posso...

Eu não, nêgo!

Não enalteço o drama

com cinzas espalhadas na cama

por muitos cinzeiros...

A cachaça transforma em lama.

A sombra te chama,

a sobra te espera,

no lugar de haver algo novo.


  • - Acalento!

  • - Acalanto!

Novas formas de canto

na boca do forno,

mas beirando o inferno...

Onde o fogo é eterno,

o movimento insolúvel...

A viúva é volúvel,

logo quer o vizinho,

ou quer mesmo o capeta...

Quer o dono da festa?

uma fresta?

Uma treta...

pra rimar com boceta...

e encerrar o assunto.

16.4.13

Boston
(deles é o reino dos Céus!)
Maia

Um terrorista...
um que gosta
de causar terror
ou espanto.
Um fundamentalista,
fundamental em qual forma de plano?
Desculpe foi engano!
- outra mensagem errada!
Malucos querendo guerra,
do outro lado da terra
a guerra da minha esquina.
Toda carnificina
praticada pelo meu vizinho,
ou gerada em Teu nome.
Um é por medo, outro fome,
mas o tráfico anda bem na boca.
Malandro balança na forca
e ninguém mais sabe de nada...
Com a verdade por baixo,
viciado a tomar esculacho...
A fumaça na lata da viatura raspada,
ou no cano da pistola?
Uma bomba na maratona,
um tiro no jambeiro,
a chacina no bairro da paz,
mais um evento de bola...
O chiclete e a cola,
no sinal da rua...
ignore... a culpa é sua!

6.4.13


Brasa no lume

Maia

Eu ainda vou entrar na dança
e ainda vou morrer se ser eu,
mas não devo morrer de amores.
Nenhuma saberá das minhas dores
mais que eu soube.
O quanto me cabe,
do preço que me coube,
do usufruto
Esse fruto apodrecido
desse jeito.
Bata no peito
e deseje nem ter nascido
Sentimento?
Para que desejar mais sofrimento?
Nessa selva de cimento...
O mundo é seu
mas não lhe pertence.

14.3.13

Anger management

Maia

Just another day
just another ride
just feeling sorry
sister
just missing you
looking for
another day
another ride
another bride
a little more proud
a little more blue
a little bit complicated
for being me

23.2.13

Moeda de troca

Maia

Eu sou o máximo
do paradoxo lógico
num estado ótimo
de hipertensão.
Eu sou naufrago
da acensão meteórica
para deixar eufórica
a noite da bacante.
- Olimpo de falsos amantes_-
Diamantes e perolas
ao alcance das mãos,
o doce regalo
à disposição
de quem puder pegá-lo...
Ainda assim para poucos.
Das sombras do mundo louco
surdo e mudo o meu discurso:
- Melhor largar na banguela,
quem tem filho grande é urso!