15.2.15

Dez Ordenamentos
(É carnaval... é hora de sambar... - Batatinha)
Maia

Vasculho cantos
a procura dos encantos
que as esquinas,
os enganos,
quimeras dos outros...
- crenças implantadas -
Obscureceram
no passar dos anos,
pasto dos asnos.

Abismos por todo planeta,
todo ser humano
tem a alma devastada...
ninguém mais acredita
em nada.
Muros,
esconjuros,
juros...

Emolumentos pagos,
lucros magros,
monumentos de papel crepom,
e prata...
Areia, cimento e brita
misturados na birita.

O pão nosso
década dia.

- Mentirás!
-O pecado do mundo...
- Punirás!
- O desejo do filho...

Agnus Pai.

9.2.15

Mikha'el
(Arcanjo)

Maia

Aquela lua de papel,
aquela carta
jogada sob tua porta...
Mensagem subliminar,
criança morta,
e tudo o que coube,
só desesperar...
nada mais importa.

Aquele vento quente
tal qual inferno...
Aquele cheiro
inconfundível
de gente,
cobra engolindo cobra.
Manobra arriscada,
um tiro largado na latrina
cheirando a bosta...
nada tão verdade.

Aquela felicidade,
falta de compromisso.
Não tenho entradas
para o baile da saudade
porque fui omisso...
Nem isso mais me coube,
só desesperar...
nunca tão deserto

Aquele choque
eletrocuta.
Aquele gole de conhaque
com cicuta,
limão e gelo
para esticar conversa...
Ainda é cedo...

Amor
sempre
por
fé,
jamais
por

medo.

8.2.15

Que não reclama da vida
(o ponto final)
Maia


Melhor esquecer
que não consigo
me aquecer
em tudo que está perto
evocar
outra existência
renascer
novo universo

a hora mais exata
da pura aritmética
um calculo mortal
limita meu verso
venda meus olhos

pedra que cantei
de variados modos
outras tantas noites

deu tempo de correr
mas me pegou de açoite
um rastro de estragos
seculares danos
mais um trago
e um tango
cantado entre estranhos

celebrai a madrugada
todos loucos
afoitos para dizer
que tudo mais é pouco
e o resto é sobra

pimenta na boca dos outros
logo vira carnaval na obra
manobra de caça jato
até um rato
me pediu socorro


dias que mato
morro

mas não me comovo

3.2.15

Prisma

Maia

A ninguém comento
tudo o quanto é triste,
mas sequer me engano.
Fiz minhas escolhas,
faz muitos anos,
e sei o que me espera.
Cores reveladas,
dores na janela,
muitos janeiros...
uma vida inteira
é demais
para viver atado...
Preso a um passado
que não tem mais volta.

Ganha quem passa primeiro,
sempre o mais ligeiro.
O melhor profeta
é o que acerta
em cheio a profecia.
Dessa profissão me desvencilho,
por um momento de sossego,
uma luz nesse manto negro
que possa guiar meu filho
a uma melhora na oferta.
O tempo é do já passou,
melhor assumir,
a hora é essa...
o tempo é agora
e se o medo aflora
melhor conter o impulso.

O remorso
não é de cobrar barato
e sem juros.

Recomeço nesse ponto,
o ponto do desamparo,
a beira do desapego
e me vem um desespero...
Um grito do fundo d'alma
me pede que tenha mais calma,
pois me falta paciência.
Hoje em dia, até a ciência
faz coro à vontade divina...
Existe uma volta por cima
que pode mudar essa história.
Para todo o mal existe cura
e mesmo a noite mais escura

termina em uma nova aurora.

17.1.15

Final das Contas

Maia

Seu desejo
pode até ser a minha morte.
Sua sorte
o meu beijo...
O meu fraco,
o jeito que fico
toda vez que vejo
o que vejo.

Quando tudo fica claro
eu me retiro,
e como é quente no meu quarto
essa época do ano.

Os tolos logo formam
a fila do engano.
Pronto para entrar em forma,
eu procuro formas
sem olhar a cor...
Eu invento normas
no inferno.

Eu envelheço,
depois renovo
e me decifro...
ninguém é parte disso.

O meu segredo
talvez lhe valha alguma sorte...
Era o momento
para firmar um compromisso,
eu fui omisso,

agora é tarde.

13.1.15

Carita

Maia

Caso te sobre desespero,
ou me falte paciência...
acredite nos desígnios de um Deus,
confie nos avanços da ciência
para encontrar algum consolo.

Perscrute o coração,
e a cada baque da ilusão
sinta que a vida te deu bolo
e roliúde é o sucesso.

A estrada é para cima,
para o alto...
Até que um novo caso
te tome de assalto
e leve a um novo casamento.

Pelas mão de um bom delírio
te escape o véu do sofrimento,
e encontres finalmente a contrição...

A remissão dos teus pecados,
a felicidade...
à margem da sociedade.

11.1.15

Face

Maia

A face escura da lua
a que você não vê
mas ainda assim flutua
iluminada sabe-se lá por que Sóis.

A face obscura de qualquer mulher
todas as caras escondidas
da única que você quer
luzindo nos arrebóis.

Há duas faces na moeda
alea jacta est
ascensão ou queda
dissonâncias ou bemóis.

A face daquele que sonha
santa inocência
tanta arrogância, tanta vergonha
vieram presas em meus anzóis.

À prima face
a prima-dona
apressou o desenlace
caramujou meus caracóis.