25.4.16

Puja

Puja
(agradeço e aceito)


Não quero
mais ser
a doença
da sua vida.

O motivo
dessa caminhada
estar
na mão errada.

A contramão
do nosso
merecimento
na imensidão.

Na vida
da nossa
criança
Roubada.

Aureolada
na marcha
rancho
dentro
da estrela
azulada…

Eu posso
ser
o seu
amparo
para dor.

Apenas
por amor,
não mais
por culpa
ou medo.

Saiba que
os tolos
também
tem
segredos.

saiba que
as crianças
também
falam
sério…

E por
falarem
tanto
conheci
Miguel…
em forma
de anjo
pousado
do céu.

Adoçando
o dia…
do casamento
de seus
pais.

Saiba
santificar
as suas lágrimas.

Saberei
glorificar
o meu destino…

saiba que
estarei
em outro plano

no colo
do nosso

menino.

5.4.16

Lupus

Húmus omini lupus

Maia

Preciso quebrar o meu contrato
Com a dor.
Parar de beijar o seu retrato
Amor...
Entender O meu desiderato.
Compor um novo trato,
Um pacto com o mundo.
O universo é meu prato,
Me alimento.
O seu alento
Se faz senhor
De modo abstrato.
O meu lamento,
Se perder tanto amor
Eu desidrato.

5.3.16

Pra boi dormir

Maia

Quando ela quer
A gente dança, canta, improvisa.
Do jeito que puder
Ela garante que avisa
A hora certa de chegar.

Tempo estranho num mar
De tantas vicissitudes.
Há quem escolha viajar,
Consegue encontrar similitudes
Em atitudes tão díspares...

Ilusões que vêm aos pares,
Emoções tão dispersas
Flutuando em novos ares
Ao longo dessa conversa
O conflito nos engole

Nao há o que nos console
Muito pouco para sorrir
Na pausa para o reclame
E é tudo conversa mole
Daquelas pra boi dormir.


15.2.16

Saber satifaz
"Poenitentiam agite,
appropinquavit enim regnum coelorum"

Maia

Histórias velhas
já esquecidas...
bebidas aquecidas
para acompanhar...

Incenso de benjoim
para iluminar a jornada,
vintes gotas de vicodim
para relaxar.
Receita comprada
na farmácia da esquina,
a vista...

Ministrada por bela dama
de capa de revista
médica,
alegria no soro
pingando a gotas
numa letargia
ciclopérgica...

No período paleozóico,
era mais fácil
morrer de susto,
e achar justa
a lei do mais forte.
Com um pouco de sorte
chegar aos vinte...

Repleto de euforia viril
e esperança,
encher a pança,
fuder as fêmeas,
arranjar um emprego fixo,
constituir família
e viver no fio da navalha.

Preso no crucifixo,
de joelhos,
dizendo amém...
Penitenziagite
enquanto ainda é capaz
de amar alguém,
de fazer o bem
não importa a quem...
chantagem do inferno.

Só que não combina
com o mundo moderno
a sua vista curta,
o seu parabelo
preso na cintura,
o seu preconceito,
seu santo complexo
de macho alfa.

25.1.16

O todo e o resto

Maia

Já nem tanto esotérico...
o seu gesto colérico
foi a gota.

É tarde.
A cabeça
anda solta,
anda a esmo,
segue a risca
e tá torta.

Tudo é tão longe
naquilo que importa,
e aquele me fortalece...

Amizade escrita com esse,
toda crença que 
temos nos sonhos,
impomos aos outros

sequência matemática-desvio padrão...
isquemia do meu pericárdio mesquinho.

Esse,
sempre tão singelo,
sequer prestou-se ao trabalho
de enxugar gelo,
liberar o grilo
preso em seu cabelo.

Gritava comigo
por medo...
Pedindo socorro...
perdido.

Atrás de abrigo
o amigo 
do meu inimigo.

2.12.15

Jurisdictio

MaIa


Hoje eu já sou eterno
e já vejo o mar,
enquanto  marco em meu caderno
tudo que há por fazer...
tudo que há por lembrar.
Tudo por possuir
o dom de profetizar.

Servir
ao oráculo de Delfos,
sacrossanta pitoniza...
que tanto me pede,
tanto me pisa...

Oh! Doce sacerdotiza...
já te julgaram impedida,
já te chamaram perdida,
injusta, bastarda, vendida,
muitos te negam guarida
nas grutas do nazaré.

Por medo muitos não falam...
por conveniência se calam
os que deveriam dizer.
Justiça cega no pórtico,
a espera do filho pródigo,
não delibera, não age, não vê...

28.9.15

Supérfluo vital

Maia 

As vezes
você sangra
e alguém some
por meses...
Não há como dizer 
que é normal
essa luta do bem
contra o mal,
caminhar do herói
à vilania.

As vezes...
é necessária
trégua,
um deslize
num mundo de regras,
algum equilíbrio
no caos.

As vezes o mundo
lhe impõe um tabu
preconceitos, 
julgamentos
caem,
que nem urubu
na carniça...

As vezes 
a engrenagem
enguiça,
e dá preguiça
de consertar.

As vezes a dor 
é tão pequena
que não vale 
à pena 
reparar.