28.1.08

Templos modernos

(eu vejo a vida melhor no futuro)

Eis o homem

Multinacional…

Poli-cultural,

Metro sexual,

Mega desejado…

Veste certa grife,

Não comete gafes,

Mesmo com alguns drinks.

Espécie de drops,

Causa bad trips.

Em plena sala VIP,

Gente desse naipe,

Não trai a sua estirpe,

Faz charme até com gripe,

Nouveau Rich convicto.

Novo advento, o adjetivo,

O H maiúsculo no diminutivo,

Carente afetivo,

Quer afirmação.

Pouca informação,

A palavra exata,

Falso proxeneta,

Belo magnata,

Empregou nas putas,

Delas o peso em prata…

O fez por benevolência,

A violência justificada,

A virulência aprendida em casa,

Demagogia, mas posta em prática…

Metáfora fática para um fim de discurso.

24.12.07

Coletivos
Rubem Garcia – O Coringa

Veio uma noite perene me causar espanto…
Só no meu canto me encontrou a outra…
Vinda de - não sei - qual recanto do universo?
Veio uma aguda dor nas tripas,
Outro verso, escorrendo das entranhas.
Veio quem deveria,
Quem não viria,
Quem não queria
O que não tivesse…
Hordas de hunos,
Corja de bandidos,
Súcias de malungos,
Cambadas de moribundos,
Vieram das quatro direções…
Novos sacerdotes,
Noves sermões para sustentar as velhas crenças.
Novos milagres da ciência,
Soja transgênica,
Pílula de ar, e silicone…
Veio o olho por olho,
Homem por homem.
Medo por medo,
Preferi ficar com o desconhecido.
Veio quem mais qualquer um desejaria,
Ainda que se lhe dessem permissão…
De saciar o desejo numa fonte
Inexaurível, fecunda, abundante…

22.11.07

Samba Reggae Dub DUb DUB...

Rubem Garcia - O coringa

(pra Zangüera)


Reza Braba para Espantar os Quebrantos,

os Mal-olhados,

os desencantos...

Batuque pra mexer a massa,

Pra realçar o verde dos olhos da Mulata,

Balançar na pista, Pra Sambar Na lata...

Pra Salvar os Orixás,

Na Bahia de todos os Bons, todos os maus, todos os santos…

19.9.07

Abalo Sísmico

Rubem Garcia - O Coringa

Triste estou

Nesse estado...

Em que um hiato seu

Revoga meu passado

Em uníssono

Num mesmo lado

vogam as idéias.

Triste tenho estado,

Numa voracidade estranha,

Em busca de um vocábulo.

Um incunábulo…

Abalo sísmico num átomo

Estacionado

Insiste um arremedo

E medo de algum resquício

Com requintes…

Espasmos que ressuscitem

Ou suscitem

Na conjuntura nova perspectiva

Na conjuntiva lente do nosso mundo.

30.8.07

Ergo Cogito Cogito

Rubem Garcia – O Coringa

As ruas ficam estreitas...

As frases desfeitas...

As vozes veladas,

As portas seladas,

correspondência violada...

Outra página virada

numa varanda distante...

Janela de antiga amante.

Efêmero quociente - mero inconsciente

coletivo...

Janelas abertas - a vida ao vivo...

as Ruas ficam desertas...

sunt?

logo cogito...

20.8.07

Argos

Rubem Garcia – O Coringa


Sou o mar que me Navega...

sou a fonte... sou a tela...

sou a onda que vaga... cega...

sou comadre na janela,

um requebro de Nêga,

Um Paulinho da Portela...


Meu leme virou história

Mesmo que me cure a bebedeira,

Será minha a fortuna simplória,

Um barraco sem eira nem beira.

É meu lema coberto de glória...

"Bobagem pouca é besteira..."!

3.8.07

Onde vazou frio no aquecimento

Rubem-Garcia – O coringa

Reserva de mata é morte lenta.

Calor Humano destrói o planeta.

Ensinando-nos o consumismo sustentável

a mídia se isenta...

Não importa a data,

Não importa a culpa…

Mesmo que haja cura,

A vontade é falha,

e próprio do homem

discutir migalhas,

em pontos minúsculos

Se perderem todos os esforços,

Os danos são nossos,

Santos e profetas,

Postos ao alcance,

Na melhor oferta.

A reserva de mata é mesquinha,

Não é escolha alguma.

Sombra de peneira

a enganar os tolos,

e ensinar aos filhos

a maneira certa de perpetuar a espécie.