15.9.15

Anti-resiliente

Maia

Você
Futuro distante
Eu
Fugindo descrente
A despeito
Do que houve antes
Por respeito
Ao que se faz presente
A trama
Mistério intrigante
Na cova
Espera indigente
A barca
Maré de vazante
Demanda
Que se faz urgente
Você
Presença constante
Eu
Engano das gentes

14.9.15

Mambembe

Maia

Engulas o choro,
e a dor
dessa desilusão...

Estejas atenta,
apenas,
aos teus bocados...
Desse pão-de-mel
amassado
pelo diabo.

Aqui na terra,
mesmo quando
o tempo é ameno,
o clima é pesado.

Qual o teu
coração,
trancado
a cadeado
para a melodia
da minha canção...

Para o meu
mais doce
chamado.

20.8.15

Fantasia do pirata
Maia

O refúgio
do último corsário
livre,
onde o sinal
dos tempos
ainda não chegou.

A quem pretenda ser
possuidor
dessa fome
que urge,
cumpre 
a satisfação
de saciá-la...
A obrigação
De consumi-la.

Pelos cantos,
entre os tijolos
da parede...
Entranhado na sala...
o odor acre dos cigarros.

Uma ebulição
que vem nas ruas,
entra nas veias
e pé na estrada...

O corso
nunca foi
de água
parada.

7.8.15

Capitanear sorrisos

Maia

Faltam motivos
pra te deixar ir embora...
Sobram razões,
preconceitos, preceitos,
seitas e religiões.

Falta fundamento em tantas paixões, quem quiser ser cristo
receba a primeira pedra.

A coragem nos falta
no princípio da queda
por medo daquilo que machuca.

Essa vontade maluca
de que a vida seja eterna,
de fingir que não há perda,
seguir vivendo a guerra.

Sem o quê ajude,
engolir a angústia
no pão nosso, dormido a dias...
das insondáveis agonias
que se cruzam na distância.

27.7.15

Capsulas de honestidade
Maia
Sou companhia
que não tenho.
Não te basta
a pouca coisa
que tem.

Não me vem
a companhia
que quero,
e já não esperas
a companhia
que nem vem.

Compre quem tiver
desdém...
Por pouco
mais que alguns trocados,
velhos e gastos
vinténs.

18.7.15

A Jahh Yo!!!
Maia
Ando pouco disposto
a tantos reencontros,
apegos, atalhos...

Desencontrados passos...
Tudo como antes
no inferno Dante...
Exato como é agora!

Sufocado em guache,
linhas pontilhadas,
traços...
Resolvi ser gauche
já que a vida é bela...

Melhor tê-la
em tela...

Sempre
em boas vistas,
boas vestes... Não as companhias,
mas as festas.

Eu quero Vela.
Ela no escuro...
luz de qualquer esquina...
Pedra filosofal
da câmara secreta.

Puro bálsamo

Na camarinha...
Tê-la...
Minha...
Cunhã...

10.7.15

Aquilo que fica

Maia

Um dia você me da bola,
um dia a gente ri...
bem na hora de partir,
noutro você chora.

Algum dia tudo volta
e a gente se embola.

Qualquer dia desses
estarei por ai...
e quando menos esperar
terei indo embora.

Não nos cabe dizer
se esse dia demora...

Caso algum dia
o universo se abrir...
será nossa hora de sorrir,
ainda que não seja agora.

Há um mundo esperando lá fora...
Um mundo que foi, e outro por vir.