11.11.11

Nas redes

Maia

Para onde eu vou o vento me espalha,
o Sol completa minha sombra...
Se teu espanto já não te atrapalha,
já não me atrapalha...
mas recolhe o fio dessa navalha
que te corta a carne
e a copiosa lombra...
Olho de cobra te segue,
na pedra o sapo se assombra.
Explode a bomba
de mais uma crise no congresso.
Um novo comercial da Esso:
There's a tiger no chassis
e o rio Ganges na Índia...
Existe miséria no mundo,
mas existe o novo e o belo.
Existe a cruz, o martelo
e a foice do carrasco.
O Diabo a tinir nos cascos
e Deus nas palavras cruzadas
demônios dando risada,
Exús nas encruzilhadas,
cartas marcadas e serviços dados.
A vida num jogo de dados...
num banco de dados de uma megastore
nova história de brinquedos vivos
e lutas pelos becos...
Um que dá um teco,
Outro dá um tiro,
eu, que mal respiro,
dou a cara a tapa
e sempre sobrevivo.

26.10.11

Peremptória

Maia

És a rainha da saudade,
és a vontade...
o mais bonito fim de tarde
deste ano.
És a senhora das verdades,
ou das metades...
a mais cruel das maldades,
num gesto puro de caridade...
ainda nesta vida.
És a cilada,
És a saída,
ou o gole de cachaça...
entre um soco e outro na cara
e mais um tiro
que ecoa na madrugada.
Estás no nada
e do nada regressará
que a dor só passa
quando sara
assim foi e assim será

6.10.11

Garatujos
(Mecanismo emperrado)
MaIa
Já não ando,
Perambulo...
De galho em galho...
De muro em muro...
De braços com a madrugada,
Prefiro caminho mais escuro.
Acredite que sou inocente.
Eu JURO!!!
Luas de Marte

Maia

Eu não brilhasse às luzes da ribalta,
e no tablado a noite avizinhasse...
em caixa alta um pensamento urgisse
em tons maiores a torná-la minha.
Despida de panos, de medos abjetos,
inteira num espaço à salvo dos anos.
No centro dos Planos
qual superfície líquida em repouso,
repleta de gozo, movimentos lentos,
a tez morena e gestos tão excêntricos
que se propagam em círculos concêntricos.
toque divino, desígnio secreto
de um mero objeto direto do acaso...
Atirado a esmo em Deimos e Fobos,
no fogo aprisionado...
Evento inesperado do destino.
Eu já fui guerreiro, e fui bandido
e fui menino...
um exilado desse mundo mercenário
em teus anseios, em teus seios mergulhado
mal esperando despertar uma fagulha
uma fumaça, uma centelha ou mesmo brasa.
Um fragmento que te permita incendiar
em outra vigília mais amena...
minha casa

28.9.11


Capciosa

Maia

Bem comigo
e a Deus
o castigo dos meus inimigos
eu não ligo
pouco importa
adeus a quem fechou a porta
do coração
ao meu imã
meu afã
Aquele abraço a quem não é meu fã
Beijo Kármico

Maia

De paradoxo em paradoxo
recebe o ósculo
e percebe
heterodoxo desejo.
Vias de fato
que nem no mato
sem cachorro.
Mulher no quarto,
minguante
desde a sexta-feira,
no vão da porta,
ou na janela...
uma vida inteira indecisa.
Cisma primeira
de ideias que lhes são impostas.
beleza posta...
nas apostas não põe mais mesa
a mil princesas...
madrastas e sapos nas costas.
Eu, outros lugares...
pensando quais são os males,
quais são os mares...
mas navegar impreciso é preciso!

25.9.11

Panariço

Maia

Certas noites o nada é nada,
as emoções só deslumbres da fada.
Noites em que o ar é frio
o vazio me espreita no quarto.
O vento diz: "qualquer vadia esquenta a cama,
qualquer dose de scotch acende a chama
e qualquer abraço é bom amparo.
Já que o rosto do inimigo não é claro
qualquer rosto amigo é caro.

Certas noites o sono não vem mais,
a menina diz jaz
e num dado instante tudo é morto.
Qualquer olhada é gesto,
qualquer banquete é resto,
qualquer rosto não é tela,
qualquer corpo não é ela
e não resolve.

certas manhãs como esta,
a solidão
é a bala do revólver...
e a ponta da lança...
Maya exibe sua dança.