22.11.07

Samba Reggae Dub DUb DUB...

Rubem Garcia - O coringa

(pra Zangüera)


Reza Braba para Espantar os Quebrantos,

os Mal-olhados,

os desencantos...

Batuque pra mexer a massa,

Pra realçar o verde dos olhos da Mulata,

Balançar na pista, Pra Sambar Na lata...

Pra Salvar os Orixás,

Na Bahia de todos os Bons, todos os maus, todos os santos…

19.9.07

Abalo Sísmico

Rubem Garcia - O Coringa

Triste estou

Nesse estado...

Em que um hiato seu

Revoga meu passado

Em uníssono

Num mesmo lado

vogam as idéias.

Triste tenho estado,

Numa voracidade estranha,

Em busca de um vocábulo.

Um incunábulo…

Abalo sísmico num átomo

Estacionado

Insiste um arremedo

E medo de algum resquício

Com requintes…

Espasmos que ressuscitem

Ou suscitem

Na conjuntura nova perspectiva

Na conjuntiva lente do nosso mundo.

30.8.07

Ergo Cogito Cogito

Rubem Garcia – O Coringa

As ruas ficam estreitas...

As frases desfeitas...

As vozes veladas,

As portas seladas,

correspondência violada...

Outra página virada

numa varanda distante...

Janela de antiga amante.

Efêmero quociente - mero inconsciente

coletivo...

Janelas abertas - a vida ao vivo...

as Ruas ficam desertas...

sunt?

logo cogito...

20.8.07

Argos

Rubem Garcia – O Coringa


Sou o mar que me Navega...

sou a fonte... sou a tela...

sou a onda que vaga... cega...

sou comadre na janela,

um requebro de Nêga,

Um Paulinho da Portela...


Meu leme virou história

Mesmo que me cure a bebedeira,

Será minha a fortuna simplória,

Um barraco sem eira nem beira.

É meu lema coberto de glória...

"Bobagem pouca é besteira..."!

3.8.07

Onde vazou frio no aquecimento

Rubem-Garcia – O coringa

Reserva de mata é morte lenta.

Calor Humano destrói o planeta.

Ensinando-nos o consumismo sustentável

a mídia se isenta...

Não importa a data,

Não importa a culpa…

Mesmo que haja cura,

A vontade é falha,

e próprio do homem

discutir migalhas,

em pontos minúsculos

Se perderem todos os esforços,

Os danos são nossos,

Santos e profetas,

Postos ao alcance,

Na melhor oferta.

A reserva de mata é mesquinha,

Não é escolha alguma.

Sombra de peneira

a enganar os tolos,

e ensinar aos filhos

a maneira certa de perpetuar a espécie.

4.7.07

Outra “cabriolet” cartorária

Rubem Garcia – O Coringa

Tudo o que sei cheira a mofo

Ou de certo modo é velho

Sobras de idéias esmaecidas

Puídas gastas de tão repetidas

Tudo que mofa mal cheira pede socorro

Apela para a velha arapuca

Arranca peruca

cego em sinuca

Tudo cheira mofo velho

Tudo cheira mal Socorro

Tudo quanto me repetes

Tantos os repentes meus em tela

Já me parecem meio insulsos

A mesma paródia descarada

De um vândalo a cata de algo novo

Mas a mesma língua O dia a dia

Não sustentam o ofício

A poesia

Sem embebedar da madre fonte

Que a engendrou no seio inerme

Morre no contexto

Morre na verve em suave sinfonia

Tudo me parece engodo

ÔNU “pax” diplomacia

ONG Mãe África

I - Ching “housewives”

A Cada reprise nervosa a cada fim de ano

Cada dano

A Cada desengano Tiros na África,

em Timor Em Amaralina

Por puro desprezo ou desespero

Assisto ao pesadelo por dinheiro

Pague primeiro Ou uma quantia boa em sangue

Será cobrada E sua dívida marcada

no Rol dos InjustiçadospelavidaLotandoascelas

Ninguém tem culpa ninguém apela

Ninguém entende ninguém mais berra

12.6.07

Malaquias -

(o diabo Rei)

Rubem Garcia – O Coringa

Força bruta,

Soldado de paço...

Maluco e “malaco”,

Que nas horas vagas,

Andou de motoca,

Ganhou mais vadias,

Que um velho das docas…

Nadou na sarjeta,

A frase refeita

Num copo de coca…

Malungo dos becos,

Ladrão de botecos,

Pedindo, implorando…

Uns tragos, uns tecos,

A grana na mesa,

Valendo a sinuca,

O troco pro taxi,

Navalha pra puta…