31.5.17

Ciclos de matéria

Maia

A humanidade está doente,
luto para me curar.


Não por desacreditar
na força de toda gente…

Não para julgar
e subjugar meu oponente…


Minha luta é diferente.
O intento de libertar
das amarras da minha mente
O dom de profetizar.


Poder que se encontra latente
no eco ancestral dos meus genes.
A espera da protogenese
do devir, do despertar.


Navegar o inconsciente
na minha canoa de sonhos.
Lugar em que, humilde, me ponho
e, sábio, me proponho
O instante de contemplar...


Que a vida não é só de luta,
é cega e, com sua batuta,
esbarra no espírito que nega,
no atalho falso da fuga,
no gozo que menospreza
A hora certa de ficar.


Acima da dor, do desconforto
A canoa âncora num porto
Navegar não é preciso
Viver não é precisar.


Todo resto é matemática.
Ilusão é resposta prática.


Sedução nos solapa a métrica,
E nos resta praticar.

22.8.16

Asmi Apürnah
(sou imperfeito)
Maia

Servo das minhas virtudes
por conhecer todos os vícios,
e rasgar alguns véus, reconheço:
- A melhor vista do céu
é a beira do precipício.

O prenúncio de qualquer evolução
apavora e traz esperança.
Guerra e paz
marcadas na eterna dança
para trazer luz à escuridão.

Procuro aceitar a alegria,
acostumar-me com ela.
O tempo não tem parada,
e a vida não marca passadas
na beira da minha janela.

Vou ao mundo de olho o caminho,
que a pressa com o objetivo
estava me deixando mudo.

Não caminho mais sozinho
para não me tornar cativo

e usar o ego como escudo.

25.4.16

Puja
(agradeço e aceito)


Não quero
mais ser
a doença
da sua vida.

O motivo
dessa caminhada
estar
na mão errada.

A contramão
do nosso
merecimento
na imensidão.

Na vida
da nossa
criança
Roubada.

Aureolada
na marcha
rancho
dentro
da estrela
azulada…

Eu posso
ser
o seu
amparo
para dor.

Apenas
por amor,
não mais
por culpa
ou medo.

Saiba que
os tolos
também
tem
segredos.

saiba que
as crianças
também
falam
sério…

E por
falarem
tanto
conheci
Miguel…
em forma
de anjo
pousado
do céu.

Adoçando
o dia…
do casamento
de seus
pais.

Saiba
santificar
as suas lágrimas.

Saberei
glorificar
o meu destino…

saiba que
estarei
em outro plano

no colo
do nosso

menino.

5.4.16

Lupus

Húmus omini lupus

Maia

Preciso quebrar o meu contrato
Com a dor.
Parar de beijar o seu retrato
Amor...
Entender O meu desiderato.
Compor um novo trato,
Um pacto com o mundo.
O universo é meu prato,
Me alimento.
O seu alento
Se faz senhor
De modo abstrato.
O meu lamento,
Se perder tanto amor
Eu desidrato.

5.3.16

Pra boi dormir

Maia

Quando ela quer
A gente dança, canta, improvisa.
Do jeito que puder
Ela garante que avisa
A hora certa de chegar.

Tempo estranho num mar
De tantas vicissitudes.
Há quem escolha viajar,
Consegue encontrar similitudes
Em atitudes tão díspares...

Ilusões que vêm aos pares,
Emoções tão dispersas
Flutuando em novos ares
Ao longo dessa conversa
O conflito nos engole

Nao há o que nos console
Muito pouco para sorrir
Na pausa para o reclame
E é tudo conversa mole
Daquelas pra boi dormir.


15.2.16

Saber satifaz
"Poenitentiam agite,
appropinquavit enim regnum coelorum"

Maia

Histórias velhas
já esquecidas...
bebidas aquecidas
para acompanhar...

Incenso de benjoim
para iluminar a jornada,
vintes gotas de vicodim
para relaxar.
Receita comprada
na farmácia da esquina,
a vista...

Ministrada por bela dama
de capa de revista
médica,
alegria no soro
pingando a gotas
numa letargia
ciclopérgica...

No período paleozóico,
era mais fácil
morrer de susto,
e achar justa
a lei do mais forte.
Com um pouco de sorte
chegar aos vinte...

Repleto de euforia viril
e esperança,
encher a pança,
fuder as fêmeas,
arranjar um emprego fixo,
constituir família
e viver no fio da navalha.

Preso no crucifixo,
de joelhos,
dizendo amém...
Penitenziagite
enquanto ainda é capaz
de amar alguém,
de fazer o bem
não importa a quem...
chantagem do inferno.

Só que não combina
com o mundo moderno
a sua vista curta,
o seu parabelo
preso na cintura,
o seu preconceito,
seu santo complexo
de macho alfa.

25.1.16

O todo e o resto

Maia

Já nem tanto esotérico...
o seu gesto colérico
foi a gota.

É tarde.
A cabeça
anda solta,
anda a esmo,
segue a risca
e tá torta.

Tudo é tão longe
naquilo que importa,
e aquele me fortalece...

Amizade escrita com esse,
toda crença que 
temos nos sonhos,
impomos aos outros

sequência matemática-desvio padrão...
isquemia do meu pericárdio mesquinho.

Esse,
sempre tão singelo,
sequer prestou-se ao trabalho
de enxugar gelo,
liberar o grilo
preso em seu cabelo.

Gritava comigo
por medo...
Pedindo socorro...
perdido.

Atrás de abrigo
o amigo 
do meu inimigo.