27.1.13

Reproduza-se e morra 

Maia 

Já vi arvores nascerem
Constelações já minguaram
Duvidas se consumiram
Rios  se contaminaram...
Foi meu verbo que formou no olimpo
O meu meu lamento causou certo embaraço 
Pus o laço
No pé da andorinha
Erva daninha
No jardim do paço 
Ou repasso feito boi no pasto
Ando gasto
Do meu vasto império
Ando sério
Pelo meu cansaço

19.7.12

Fantasma

Maia


Eu sou o que não tem jeito.
Defeito...
o que não tem hora.
Demora
e não é perfeito,
refeito...
constrito em mora.

Eu sou o que goza fora.
Agora,
não sou o sujeito.
Direito
tenho à desforra...
Aforas
da dor no peito.

A sombra que te apavora...
Quimeras
de que sou feito:
O despeito
de quem me ignora...
A ira
de quem rejeito.

25.5.12

Hipertenso

Maia


Passeio
ao largo do lugar que não pertenço,
à sombra de um luar que não percebo...
por perto um coração que desconheço.
Anseio
por alguma novidade
e teu mamilo,
pela alcova da verdade
e a corcova do camelo.

Receio
o prenúncio do fim da atividade
do circuncidar do prepúcio.
Um tanto mais lúcido,
a pupila me dilata
ciente da curva do teu seio...
Mais um processo,
por certo mais um coração que desconheço...

...e ainda é só o começo
do recreio.

7.5.12

Alguns trocados

Maia

Em cantos extremos do universo
debates sobre o meu destino...
meu verso,
minha alma desgovernada,
meu desatino...
Eu sequer faço parte
ou existo?
Fingindo de morto,
rei torto e sem porto
posto a prova...
Meu nome é povo,
minha nota é a sobra...
minha sombra a multidão.
Em esquinas da vida
cento e cinquenta horas
de horário político
e o que virá se decide
longe dos meus ouvidos.
- as cenas dos próximos capítulos,
dos dramas mais íntimos
ou mais explícitos,
dos momentos mais críticos!
Eu não faço parte disso?
E a ampla defesa?
O devido processo legal?
A presunção de inocência?
Decretaram a minha revelia
por citação editalícia,
arquitetada com muita malicia
por um falso messias,
um salvador da pátria.
Meu nome
e sobrenome é povo.
Oculto no anonimato
questiono os fatos,
a razão de todos os atos,
posturas.
O por traz das aparências,
toda presença, toda ausência
e todo preço que me é cobrado...
Só para ver se me sobram alguns trocados

25.4.12

À moda
Maia

Eu sou aquele amante à moda antiga...
do tipo que ainda arranja briga,
do tipo que ainda manda flores,
do tipo que ampara suas dores
e vê as cores desbotadas dessa tela.

Eu sou o do jantar a luz de velas.
Aquele que sonha em tê-la
e sonhou que estavas tão linda.
Acordou e estavas vazia.

Nem percebi tua partida
porque vazia estava minha taça.
Completei-a com sangue
e passei de graça.

Sentei na praça,
no mesmo banco
daquele jardim...
ninguém esperou por mim
à sombra do abacateiro.

Não acabava o janeiro,
o mormaço da minha jaula.
Não acabava a aula, Rita!
Não acabava aquela dita
e desdita profecia.

Eu sou aquele amante que partia
sem choro nem despedida
e com olhos no horizonte.
Embriagado pela água dessa fonte,
algo que nunca fenece.
Eu sou aquele que
jamais
esquece!

21.4.12


Redentor do Universo
(Kali Ma)

Maia

Um aviso a quem me esquece.
Eu sou o seu pior pecado.
Um chute no saco
que não teve troco,
o baque seco
da queda de qualquer herói.
Decerto não soube brigar,
mas pela prática descobri onde mais dói.

Um aviso a quem não esquece.
Eu posso esperar por anos...
Eu posso mudar os planos
e causar mais danos
que um tsunami
numa praia deserta.

O aviso geral
é o que gera a polêmica...
A natureza endêmica
da minha face oculta.
A sombra que move a mão
à faca que executa,
estraçalha o ventre da puta,
violenta milhões de mulheres.
Todos os dias
todas as cores
se perdem
e nem todos os gatos
são pardos.

7.4.12

Outros Olhos
Maia

Há quem ainda te veja como bela,
E quem não te veja com outros olhos.
Há quem não precise da lua amarela
A vigiar  tua janela
E iluminar minha vigília.
Novo evangelho
Nascido em minha bíblia.
-Nova gramática
Da língua portuguesa-
Explosões de azul turquesa...
A tua beleza,
Posta a prova em minhas mãos.
Há quem não precise da tua janela,
Para trazer sentido as serenatas.
A gaita de ouro
Ofuscou a lua prata...
A minha certeza
Posta a prova em tuas mãos...